Ribeirão Preto, a cidade de vidro.

Domingo, dezesseis de março de 2008, Palmeiras 4, São Paulo 1; e o clássico pode ser tido a melhor partida do São Paulo no ano.

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Um São Paulo que jogou um primeiro tempo como São Paulo, dominou o jogo e mostrou que em um clássico regional, é o grande que tem que partir para cima. Mais uma vez Carlos Alberto foi destaque, fez o papel daquilo que o São Paulo não tem há anos, um meia de verdade, o cara que cria de verdade, o cara que chama o jogo nele e parte com a bola dominada. Borges desta vez não marcou o seu, mas também foi importante, se movimentou bastante e criou boas oportunidades de gols. E um Adriano inspirado. Não espere que ele pegue a bola e drible três, quatro jogadores de uma vez, não espera uma jogada de gênio, um chapéu, enfim, ele é craque sim, mas um craque da maneira dele. Domingo o imperador mostrou ser um jogador importante, que cresce em momentos decisivos, chamou a responsabilidade e o jogo para ele, jogou demais, fez a sua melhor atuação com a camisa são-paulina, apesar do momento complicado, ele dá ao torcedor tricolor, a esperança de um ano vitorioso. O Palmeiras teve os seus méritos e quem tem Luxemburgo no banco, pode sempre esperar por uma vitória. Vitória do São Paulo seria justo, vitória do Palmeiras seria justo, empate seria justíssimo, agora, uma goleada, “NUNCA”

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Foram mais de 600 km percorridos, entre muita conversa, risadas, imaginações, dois medos surgiram, no caminho para Ribeirão, ingresso e o professor Muricy Ramalho.
Ribeirão Preto não chegava nunca, a distancia ao invés de diminuir com o passar do tempo, ia aumentado, manipulada pela ansiedade. E a única coisa maior que a nossa ansiedade naquele domingo, era a covardia palmeirense em mandar o clássico para o interior.
Após aproximadamente três horas e meia de viagem, chegamos, era incrível o clima que pairava pelo ar, parecia que o jogo seria o acontecimento do ano, talvez seria para grande parte dos habitantes da cidade, era um clima super agradável, gostoso de sentir, uma sensação jamais sentida na capital, tricolores misturados com palmeirenses, era clima de clássico, não clima de guerra, bacana demais.

Depois de comer um Mc Donald´s maroto e ver o Gustavo me envergonhar ao pedir o lanche dele sem picles e sem cebola, os dois aventureiros seguiram rumo ao estádio. E eis que surge a frase eu jamais me esquecerei: “Estamos do lado do mal”, ou seja estávamos na rua aonde estava a torcida palmeirense, SANTO TORRESMO, que sensação horrível, que vontade de colocar a cabeça para fora e gritar “Chupa porcada, que vergonha, são mais de nove anos sem saber o que é ser campeão”, mas eu não podia, prometi ao gorducho que eu me comportaria.

Escapando do chiqueiro, paramos o carro em uma rua escondida, e lá surge o primeiro personagem, não perguntamos o nome dele, mas carinhosamente foi apelidado por tiozinho pinguinha, o responsável por cuidar do carro, com toda a sua simpatia e honestidade nos convenceu a deixar o carro sobre sua vigilância e nos meteu a faca com o absurdo R$5,00 e por desconfiar que na volta ele não estaria, prometemos mais R$5,00 na volta. Já estávamos no estádio, só faltava o ingresso, seria a hora do desespero, pois nem no caminho e nem na entrada do estádio havia cambistas vendendo, e quando tudo parecia perdido, surge ele, o nosso herói, Vidro, um herói que nas horas vagas trabalha como gerente de negócios nas aproximações do estádio Santa Cruz e com um olho clinico, olhos de empresário, enxergou eu e o Gustavo no meio daquela multidão tricolor e pensou; “Pronto, ai esta os meus novos funcionários, os meus novos vendedores”, acredite se quiser, entramos no estádio sem ingresso, sem fila e sem vergonha na cara, como agradecimento pagamos R$100 para ele, a intenção era apenas R$80, mas quando eu dei os R$80 e ele me olhou com aquela carinha de cachorro que caiu da mudança eu não agüentei, dei mais R$20 para aquele amor de pessoa. Valeu Vidro, você é o cara.

Pronto, entramos no estádio, era só aguardar o inicio da partida, tudo caminhava tranqüilamente, ate cair mundo em Ribeirão, choveu demais, mas nada desanimava a torcida tricolor, um barato, engraçado até começar o jogo e agüentar os mesmos zicando, soltando os famosos “gol, gol, gol” toda hora, mas nada pior que o “senta”, mas tudo bem, entramos no consenso que iríamos respeitar, até porque nós éramos visita.

Mas como toda história que se cria personagens, obrigatoriamente se cria um vilão, o papel que cairia muito bem para o ex-presidiário que criminosamente e covardemente atingiu André Dias com uma cotovelada, a derrota não pode ser colocada nas costas do juiz, mas com certeza, se este marginal fosse expulso, a historia do jogo seria outra.

Mas o vilão era justamente um dos nossos medos, dito no começo do texto, Muricy Ramalho.

Nós entendemos que o São Paulo encontra-se em um momento complicado, com elenco reduzido, mas Joilson não dá professor, pior que Joilson é a sua covardia, o que faltou para você, sobrou para o engomadinho, que ganhou o jogo ao colocar Martinez e o Denílson. E ai com três gols de pênalti, os porcos sacramentaram a vitória.

Não precisava ter sido assim, mas é bom lembrar que o campeonato não acabou e existem grandes chances de nos encontrarmos novamente em semi-final ou final, ai a camisa pesa demais, basta lembrar como foi as três ultimas vezes que nos encontramos na libertadores em confrontos de mata-mata. E quem “chora” por último, chora melhor.

Valeu demais a pena … ahh e na volta o tio pinguinha estava lá, não estava com as toalhas e o chocolate quente que esperávamos, mas ele estava, os R$10 mais bem gasto de toda viagem.

Leonardo Luiz Léo

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