Nada mais apropriado que o dia de hoje para estrear minha coluna sobre grandes jogos ou grandes ídolos do Tricolor Mais Querido.
E vou começar falando daquele que tornou o São Paulo reconhecido nos quatro cantos do planeta. Que fez com que um clube, até então conhecido somente nos limites nacionais, aprendesse a encarar times sul-americanos com sua catimba e violência ou até mesmo a arrogância e prepotência dos europeus, de igual para igual.
Telê Santana da Silva nasceu em 26 de julho de 1931 na cidade de Itabirito, interior de Minas Gerais. Como jogador, foi ídolo no Fluminense, onde atuou em 556 partidas e marcou 165 gols. Esses números fazem do “Fio de Esperança”, como era chamado por seu corpo franzino, o terceiro jogador que mais atuou com a camisa do clube das Laranjeiras e o terceiro maior artilheiro.
Como treinador passou por diversos clubes e chegou à seleção brasileira dirigindo a famosa equipe da Copa de 1982. Com um futebol encantador foi eliminado pelo futebol pragmático da Itália que acabaria com o título daquela competição. Voltou em 1986, onde com uma equipe mais experiente foi eliminado pela França em uma fatídica decisão por pênaltis. A partir daí foi tachado como “pé frio” por torcedores e pela crítica.
Mas os “Deuses do Futebol”, aqueles que não quiseram que o Mestre ganhasse uma Copa do Mundo pela seleção “canarinho”, o levaram de volta ao São Paulo Futebol Clube, por onde já havia passado em 1972 e após conflito com os craques Paraná e Toninho Guerreiro fora demitido. Voltou em um período de “vacas magras” onde o Tricolor acabara de fazer uma campanha ridícula no Paulistão de 1990 e com uma base de garotos como Cafu, Raí e Antônio Carlos, conseguiu chegar à decisão do Brasileirão sendo vice-campeão daquela competição.
Daí em diante montou um verdadeiro esquadrão ganhando “somente” os títulos listados abaixo:
1991 – Campeão Paulista (SPFC)
1991 – Campeão Brasileiro (SPFC)
1991 – Troféu Cidade de Barcelona (SPFC)
1992 – Campeão Paulista (SPFC)
1992 – Campeão da Taça Libertadores da América (SPFC)
1992 – Campeão Mundial de Clubes – Copa Toyota (SPFC)
1992 – Taça Cidade de Barcelona – Espanha (SPFC)
1992 – “Ramon de Carranza” – Espanha (SPFC)
1992 – “Tereza Herrera” – Espanha (SPFC)
1993 – Troféu Cidade de Santiago – Chile (SPFC)
1993 – Campeão da Taça Libertadores da América (SPFC)
1993 – Campeão da Supercopa Libertadores (SPFC)
1993 – Campeão da Recopa Sul-Americana (SPFC)
1993 – Torneio Santiago de Compostela – Espanha (SPFC)
1993 – Torneio Jalisco – México (SPFC)
1993 – Torneio Cidade de Los Angeles – EUA (SPFC)
1993 – Campeão Mundial de Clubes – Copa Toyota (SPFC)
1994 – Taça San Lorenzo de Almagro – Argentina (SPFC)
1994 – Campeão da Recopa Sul-Americana (SPFC)
1994 – Campeão da Conmebol (SPFC)
1995 – Torneio “Rei Dadá” (SPFC)
1995 – Copa de Clubes Brasileiros Campeões Mundiais (SPFC)
Em 1996 sofreu uma isquemia cerebral e teve que se afastar do esporte que tão bem conhecia. Problemas na fala e na locomoção faziam daquele guerreiro na beira dos gramados, um senhor debilitado e cada vez mais fraco. Depois de um mês internado devido a uma infecção intestinal, faleceu no dia 21 de abril de 2006 na cidade de Belo Horizonte. Mas nos corações dos tricolores jamais será esquecido. Até hoje seu nome é entoado pela torcida nos jogos decisivos. Reconhecimento mais do que merecido para o MESTRE TELÊ. Com ele ninguém dava “carrinho”, com ele jogador tinha que ser profissional, sem apelidos pejorativos e sem gastos com carros luxuosos ou mulheres. Com ele o Tricolor se tornou o clube mais vitorioso da história do futebol brasileiro. E não precisou de Pelé. Bastava olhar para o banco e ver aquele senhor ranzinza com uma camisa pólo, gritando para que a bola rolasse no gramado, para que o futebol encantasse os apaixonados pela arte nos campos.
SOBRE A FOTO
Nesse dia, uma manhã fria de agosto de 1994, com apenas 14 anos fui assistir o primeiro treino do São Paulo após a catástrofe que foi a perda do Tri Sul-americano contra os argentinos do Vélez Sársfield. Palhinha que havia perdido o pênalti que calou as mais de 110 mil vozes, corria em volta do gramado de um dos campos do CT. O treino, apagado, terminou e alguns jogadores passaram pelo corredor que dava acesso aos vestiários assinando camisas e tirando fotos com os torcedores presentes.
Logo em seguida veio ele, Mestre Telê Santana. Atendeu a todos como se tivesse acabado de ganhar mais um título. Assinou camisas, tirou fotos e com a preocupação de uma pessoa de idade, quase que como um avô, ainda pediu para que todos tivessem calma e não se empurrassem, pois daria atenção a todos que lá estavam. Fui embora e essa foto ficou como se eu tivesse levantado a taça que não conseguimos ganhar dias antes. Consegui estar do lado, ter minha camisa autografada e conversar com aquele que me emociono até hoje de lembrar. Que chorei quando vi pela TV, seu enterro. E que canto com toda minha força, em dia de Morumbi lotado: “OLÊ, OLÊ, OLÊ, OLÊ, TELÊ, TELÊ”.

Texto comovente, arrepia só de ler.
Parabens pelas palavras Vini.
Saudades do Mestre.
O terceiro homem mais importante da historia tricolor
1º Rogerio Ceni
2º Raí
3º Telê Santana
(Sem polemizar .. Rss)
Telê… que saudades desse mestre…
É galera esse realmente era comandante o resto é resto!!!! considero o Mestre Tele dentre os comandantes do tricolor o mais importante da historia e credito a ele grande parte da grandeza que o tricolor tem hoje, sem ele iríamos ser um time pequeno que precisaria usar de subterfúgios para conseguir uma vitória em um simples paulistinha.
TELÊ ETERNO!
Se Pelé (com razão) é rei no Santos, Telê Santana (com mais razão ainda) no SPFC é Zeus!
Uma figura ímpar no futebol mundial.
Sobre a foto: isso é um tesouro, Vini… com certeza, hoje em dia então, vale mais que um troféu, pode ter certeza…
Parabéns pela estréia “temática”, não poderia ter escolhido alguém melhor!