O dia em que o mundo conheceu nosso eterno capitão

Rogério Ceni - Japão 2005

Rogério Ceni - Japão 2005

Dia 18 de dezembro de 2005. Essa data jamais será esquecida pela nação tricolor.

Voltamos ao Japão depois de 12 anos e como o formato da competição era diferente daquelas dos anos 90, fizemos uma semifinal contra o Al-Ittihad da Arábia Saudita e o time que parecia “cachorro morto” fez com que nossa classificação se tornasse algo dramático. Ao final 3×2 para o tricolor, mas o mundo já começava a conhecer aquele que seria um dos protagonistas da decisão no domingo. Rogério Ceni se tornou o primeiro goleiro a fazer um gol durante a competição.

Do outro lado o “poderoso” Liverpool que vinha invicto a mais de 15 jogos e o pior, sem tomar gols. Na semifinal atropelou o pequeno Saprissa da Costa Rica, vencendo por 3×0.

Aquele domingo não queria chegar, a madrugada de sábado foi longa e me lembro que consegui “cochilar” alguns minutos, isso já ao amanhecer. Mas uma longa queima de fogos por volta das 6:30 da manhã acordou meu bairro para ver o mundo ser pintado novamente em vermelho, preto e branco.

Nos reunimos na casa do Sr. Antônio, o patriarca da família Ramalho e grande responsável por tornar uma família quase inteira são paulina. Naquele dia não teve nem café da manhã, quem disse que meu nervoso deixaria eu comer algo??? E quem me conhece sabe que se tem uma coisa que não tenho problemas é para comer… (essa é para você Léo…rsrsrs)

Chegou a grande hora, 8:20 da manhã no horário brasileiro de verão. O jogo começou tenso e o São Paulo parecia assustado diante de um time que jogava solto. Marcando a saída de bola tricolor o Liverpool pressionava e Morientes logo no começo do jogo quase fez em cruzamento de Gerrard.

Mas aos poucos o São Paulo foi se soltando e Amoroso, ao receber passe de Aloísio, cortou Hyypia, mas chutou nas mãos do goleiro Reina.

Aos 26 minutos de jogo, um daqueles lances que ficarão em nossa memória até o último dia de nossas vidas. Aloísio teve um momento de Ronaldinho Gaúcho como ele mesmo disse e colocou Mineiro, o motorzinho do meio campo tricolor, na cara do gol. O volante com frieza de centroavante dominou e chutou na saída de Reina. O apartamento do Sr. Antônio quase veio abaixo, enquanto ouvíamos Galvão Bueno narrar o gol como faz em jogos importantes: GOL, GOL, GOL, GOLLLLLLLL… ÉÉÉÉÉÉÉÉ DO SÃO PAULO!!!!!!

Pô juizão, não dava para acabar o jogo com 30 do primeiro tempo???? Apesar de que até o fim da primeira etapa ainda estivemos bem postados em campo, mas a etapa final foi um “Deus nos acuda”. O São Paulo se fechou e os ingleses da terra dos Beatles foram para cima em busca do empate.

Tenho uma frase que costumo usar em jogos desses que os deuses do futebol testam nosso coração: “Se não morri hoje por causa do São Paulo, não morro mais!” O segundo tempo daquele jogo explica letra por letra dessa frase.
Graças a Deus tínhamos Rogério Ceni para nos defender das investidas inglesas. A defesa na cobrança de falta de Gerrard, essa da foto que ilustra essa minha crônica e uma outra em um chute de Luís Garcia, não preciso aqui nem tentar descrevê-las, pois foram algo de outro mundo. De um goleiro que está na história não só do São Paulo, mas do futebol mundial.

Aqui não vou falar de gols anulados, pois foram todos irregulares e a decisão do trio de arbitragem foi acertada.

O jogo não acabava e me lembro do meu avô, com seus 73 anos chamando meu irmão de canto de dizendo que estava preocupado comigo, achando que eu ia ter um ataque. E aqui vou confessar: mais cinco minutos de jogo seriam suficientes para que tivesse um ataque.

Fomos para as ruas buzinando, hino tricolor tocando no rádio, mas tínhamos um destino. Naquele dia a pequena Bia, terceira geração tricolor da família, seria batizada. Aquela menina que nos deu tanta sorte na Libertadores, com seu pijama tricolor, não poderia ser batizada em uma data diferente. Chegamos à igreja eufóricos e atrasados, mas ao vermos o pai da criança olhando para nós e vibrando em cima do altar, tínhamos a certeza de que nosso avô estava certo quando encaminhou toda a família em direção do clube das três cores, o Tricolor mais querido!

E ainda tinha que prestar vestibular… Fui para São Caetano e por alguns momentos esquecia que estava indo fazer a tal prova. O caminho me levava para a Avenida Goiás, palco de grandes comemorações na região do grande ABC Paulista. Todos vibrando com suas bandeiras e hinos no último volume.

E para fechar essa minha crônica sobre o dia em que o mundo conheceu nosso eterno capitão, vou deixar um trecho de uma música dos Beatles, para o craque do time de Liverpool, Steven Gerrard. Faixa do álbum Beatles for Sale de 1964, a música é I don´t want to spoil the party. Vejam se não combina com a cara de m… que ele ficou ao fim do jogo:

“Eu não quero estragar a festa, então eu vou embora
Eu odiaria demonstrar meu desapontamento
Não há nada aqui pra mim, então eu vou desaparecer”.

Se não gostar Gerrard, no mesmo álbum você pode ouvir a faixa I´m a loser

About the Author

Quando assino algum cartão de família o "V" do meu nome se torna um símbolo do glorioso São Paulo Futebol Clube. Será que isso explica o que eu sinto por esse time? Torcer na vitória e na derrota, acreditar que a virada é possível mesmo estando perdendo por 4x0 aos 45 do segundo tempo. Esse sou eu... Levo comigo essa paixão que meu avô ensinou ao meu pai e que meu pai me ensinou. Com certeza ensinarei aos meus filhos e logo seremos a maior e mais fanática torcida do Brasil. Aqui tentarei mostrar esse sentimento e discutir com todos os tricolores tudo que acontecer com o time mais glorioso da história do futebol brasileiro.