Quatro anos da realização de um sonho

Rogério Ceni - 2005

Rogério Ceni - 2005

Ontem, 14 de julho, completaram-se 4 anos que o São Paulo Futebol Clube voltou a ser o dono da América.

Me lembro do dia, que custava a passar. Por mais que o resultado do primeiro jogo nos deixasse com a impressão que no Morumbi seria tranqüila a conquista do Tri, a experiência que vivi em 1994 naquele mesmo estádio me deixava com o pé atrás.

Aquela campanha que começou com um jogo contra o The Strongest na Bolívia. Um jogo com cara de Libertadores, onde o time mais fraco se aproveita da pressão da torcida e no caso deles da altitude para conseguir bons resultados. Com 10 minutos do segundo tempo perdíamos por 3×1 e parecia que o negócio seria feio para nós naquele ano na competição continental. Mas aos 42 do segundo tempo Grafite fez o gol que dava a igualdade no placar em 3 gols e a esperança de que naquele ano tudo seria diferente.

A tônica da primeira fase foi essa: empate fora de casa e vitórias dentro do Morumbi com destaque para a vitória sobre o Quilmes por 3×1 no dia em que o zagueiro Desabato foi preso acusado de racismo por chamar Grafite de “macaco”.

Nas oitavas de final pegamos nosso eterno freguês de Libertadores. A porcada perdeu os dois jogos não fez nenhum gol e o Marcos sonha até hoje com os chutes de Cicinho nas duas partidas.

Os mexicanos do Tigres foram nosso adversário nas quartas de final. E quem não se lembra do dia em que o Capitão fez dois gols de falta e poderia ter feito o terceiro em pênalti que mandou por cima da trave? Vitória no Morumbi por 4×0 e no México nossa única derrota naquela campanha vitoriosa, 2×1 para os mexicanos.

Estar entre os quatro da América já é um grande feito e ai não tem mais como escolher o adversário: por isso fomos pra cima do River Plate. Nem juiz mal intencionado, nem pedradas da torcida no ônibus da delegação tricolor foram suficientes para desestabilizar aquele grupo vencedor. Mais uma vez duas vitórias, 2×0 no Morumbi e 3×2 no Monumental de Nunes nos deixavam cada vez mais perto da tão sonhada taça que tem a cara da sala de troféus do Morumbi.

Polêmica com relação a primeira partida, onde o patético perdeu o mando, pelo fato do estádio deles não ter a capacidade exigida para uma final de tal porte. Coisa de time pequeno que nunca achava que ia chegar onde chegou. Fomos para Porto Alegre e lá empatamos por 1×1.

Enfim chegamos de novo ao dia 14 de julho de 2005. Eu estava lá, na arquibancada azul juntamente com mais 71.985 torcedores e o jogo que parecia tranquilo após o gol de Amoroso, voltou a ser uma agonia após o apito do juiz apontando a marca do pênalti no final da primeira etapa. Fabrício, menino promissor da equipe paranaense, não agüentou a pressão de Rogério Ceni e Lugano e bateu na trave. Ali acreditei que aquela noite era nossa. No segundo tempo Fabão fez o segundo, Luizão o terceiro e Diego Tardelli o quarto gol e emoção tomou conta de mim. Faltava ali meu pai que me ensinou a torcer para o São Paulo e que não teve o prazer de ver o nosso tricolor campeão da América, ao vivo no estádio. Mas sei que de alguma forma ele estava ali conosco. Tenho até hoje em minha mesa, aqui no trabalho, uma foto minha abraçado com o meu irmão naquela noite em que minha felicidade não caberia em um texto com o triplo dos mais de 3000 caracteres que escrevi até aqui.

Só quem esteve lá e já viveu isso sabe do que estou falando. E a foto que ilustra essa minha crônica é a mais emblemática para todo são paulino vivo na face da terra. Ver o Eterno Capitão levantando a taça que é nosso sonho de consumo.

Mas aqui temos que lembrar de Cicinho que vibrava até quando fazia um desarme ou chutava uma bola pela lateral. De Fabão e sua emoção ao marcar o segundo gol da grande final. O guerreiro Lugano e a garra ao vestir o manto sagrado. Alex, zagueiro campeão da Copa do Brasil pelo Santo André e que não comprometeu durante a campanha. O motorzinho Junior no lado esquerdo do campo. Josué e Mineiro, sim desses tem que falar em conjunto, porque nasceram para jogar um do lado do outro, jogadores que com 45 minutos do segundo tempo corriam como se o jogo tivesse acabado de começar. O injustiçado, inclusive por mim, Danilo peça fundamental para a conquista. Luizão que chegou com aquele estigma de ter vestido as camisas de arqui-rivais e quando vestiu o manto de três cores o fez com muito respeito. E Amoroso que chegou na semifinal e foi o jogador que decidiu quando preciso. As menções honrosas ficam para Grafite, que se machucou mas enquanto esteve em campo fez gols importantes e Diego Tardelli, que aqui reconheço que não sou fã, mas também fez muitos gols no início da competição.

Que bom seria para que isso servisse de inspiração para aqueles que hoje vestem a camisa do tricolor. Esses que citei são jogadores que honraram a camisa do glorioso São Paulo Futebol Clube.

About the Author

Quando assino algum cartão de família o "V" do meu nome se torna um símbolo do glorioso São Paulo Futebol Clube. Será que isso explica o que eu sinto por esse time? Torcer na vitória e na derrota, acreditar que a virada é possível mesmo estando perdendo por 4x0 aos 45 do segundo tempo. Esse sou eu... Levo comigo essa paixão que meu avô ensinou ao meu pai e que meu pai me ensinou. Com certeza ensinarei aos meus filhos e logo seremos a maior e mais fanática torcida do Brasil. Aqui tentarei mostrar esse sentimento e discutir com todos os tricolores tudo que acontecer com o time mais glorioso da história do futebol brasileiro.